Programa pioneiro na Caatinga promoverá uso florestal sustentável para segurança energética das indústrias cerâmicas

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Foi lançado nesta sexta-feira, dia 30 de janeiro,em Campina Grande (PB), um Programa de Segurança Bioenergética Florestal que visa promover a conservação e o uso sustentável da biodiversidade da Caatinga para a sustentabilidade da matriz energética das indústrias cerâmicas. O programa enfatiza o cenário de quase 1500 municípios brasileiros que se encontram em processo de desertificação, o que corresponde a 16% da área do território brasileiro. Tal situação desafia os gestores de políticas públicas a promover ações estruturantes para convivência sustentável com a semiaridez e o efetivo combate à desertificação.

Lançamento do Programa em Capina Grande (PB).Pioneiro no Nordeste, o Programa é uma iniciativa do Departamento de Combate à Desertificação do Ministério do Meio Ambiente (DCD/MMA) e será desenvolvido em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura (IICA) e o Parque Tecnológico da Paraíba (PaqTcPB), por meio do Centro de Produção Industrial Sustentável  (Cepis), com apoio do Fundo Clima e da Associação dos Ceramistas do Sertão e do Seridó da Paraíba (Solidos), composta por 25 cerâmicas com atuação em 15 municípios do Semiárido paraibano. 

A lenha, recurso florestal nativo, sempre foi a principal fonte de energia do bioma Caatinga, representando cerca de 30% da matriz energética e 40% do parque industrial, sendo que o setor cerâmico representa hoje mais da metade (cerca de 60%) da demanda do setor industrial por lenha no bioma.


Francisco Barreto Campello - Diretor do DCDDurante o lançamento realizado no Citta, o diretor do DCD, Francisco Barreto Campello, destacou que o Programa é emblemático por colocar em evidência o papel do manejo florestal e a importância de trabalhar a questão da melhoria da eficiência energética para o setor cerâmico, com um olhar estratégico para o quadro das mudanças climáticas e o manejo da paisagem.

No Brasil e no mundo um dos principais vetores da degradação ambiental e da intensificação do processo de desertificação é o desmatamento para fins energéticos. Por esta razão, o Programa irá investir na qualificação das práticas de manejo florestal, visando uma política florestal sustentável para a convivência com a semiaridez. 

As ações do programa serão importantes em razão da necessidade de romper com paradigmas extremamente consolidados na sociedade contra o uso do potencial da biodiversidade florestal. É muito comum encontrar visões preconcebidas que associam certas atividades produtivas de exploração de recursos ambientais necessariamente como ações de degradação. No entanto, muitas vezes se tratam de produtores que valorizam e utilizam o potencial da biodiversidade do espaço semiárido, com um plano de manejo aprovado, licenciado e acompanhado pelo órgão ambiental, que promovem a conservação das florestas, mas que são equivocadamente marginalizados pela sociedade. Assim, a necessidade de mudança de paradigmas foi apontada como um dos grandes desafios a serem superados durante a implantação do Programa. 

O projeto será executado a partir deste mês de fevereiro e é coordenado pela pesquisadora Aluzilda Oliveira, do Cepis/PaqTcPB, Agência Implementadora do MMA. Cabendo ao IICA, Insitituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura, designar representantes que acompanhem e monitorem a execução do projeto. 

                                                                           Fonte: Reportagem Catarina Buriti (Ascom do Insa/MCTI)