Oficina do Projeto ECONORMAS no núcleo de Desertificação em Irauçuba - CE

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 Grupo integrado por autoridades, técnicos e consultores de diversas instituições nacionais e internacionais elabora plano de ação para Irauçuba, no Ceará

Irauçuba está numa das áreas mais susceptíveis ao processo de desertificação do Ceará. O clima e a intervenção humana castigaram o solo e a vida dos sertanejos do município com cerca de 20 mil habitantes. Agora, uma iniciativa coordenada pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), com apoio da União Europeia, levará à localidade ações que devem melhorar o cotidiano das pessoas que convivem com a seca no local.

Um grupo de cerca de 20 pessoas participou, em Irauçuba, de uma oficina sobre ações que podem recuperar o meio ambiente e melhorar a convivência com a seca. A iniciativa coordenada pelo IICA integra o Econormas, projeto de cooperação entre a União Europeia e o Mercosul. “Visitamos os locais onde serão desenvolvidas as intervenções para o controle e recuperação de áreas em processo de desertificação”, informa o coordenador de Recursos Naturais e Adaptação às Mudanças Climáticas do IICA, Gertjan Beekman.

"A oficina possibilitou definir as áreas de atuação e as praticas para o combate à desertificação. Foi realizado um amplo processo de articulação para para que todos os projetos parceiros do Ministério do Meio Ambiente, com ações financiadas pelo Fundo Clima, estivessem presentes para construírem as estratégias de sinergias", afirmou o diretor do Departamento de Combate à Desertificação, do MMA, Francisco Campelo.

Além da equipe do instituto, participam da reunião a Prefeitura de Irauçuba, Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará, Conselho de Políticas de Gestão do Meio Ambiente (Conpam), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), Ministério do Meio Ambiente (MMA), Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs) e Instituo Nacional do Semiárido (Insa) e Instituto Cactos.

As autoridades, técnicos e consultores identificaram subsídios para um Plano de Intervenção nas áreas em desertificação. Entre as tecnologias que podem vir a ser aplicadas em Irauçuba estão as cisternas construídas pela própria comunidade e as barragens de enrocamento (foto ao lado), que retém sedimentos carreados pelas enxurradas, responsáveis pela erosão e por perdas no solo.

O agroecologista Orlando Pereira, que participou da oficina, comenta que a criação de bovinos e ovinos pode ser melhorada para reduzir o impacto no meio ambiente. “Estudaremos o modelo local com os agricultores e mostraremos alternativas que dão menos trabalho, ocupam uma área menor e aumentam a produtividade, sem que precisem se preocupar com a perda de animais na seca. Diversas tecnologias serão disponibilizadas pelo IICA para ajudar os agricultores em Irauçuba”, afirma. Os pequenos produtores rurais conhecerão, por exemplo, espécies como o feijão guandu, que formam um banco de proteínas capaz de alimentar os animais mesmo em períodos de estiagem.

Crédito da foto: Christian Fischer/IICA

Fonte: Comunicação do IICA-Brasil